O que faz um prompt ser bom
A IA não sabe quem você é, para quem está escrevendo nem o que aconteceu antes de você abrir a conversa. Mesmo quando o app tem memória ou arquivos conectados, não presuma que ela tenha o contexto de que esta tarefa precisa: escreva o que importa. Quando o pedido é vago, ela preenche as lacunas com o caminho mais provável, e o caminho mais provável é a resposta genérica, que serviria para qualquer pessoa.
Por isso, a qualidade de um prompt está na informação que ele carrega. Um bom prompt responde por escrito, logo de saída, às perguntas que um profissional faria antes de começar o trabalho.
Um teste simples ajuda a calibrar: o teste do estagiário de primeiro dia. Imagine entregar o seu prompt, sem nenhuma explicação extra, para um estagiário muito competente que chegou hoje na empresa. Ele conseguiria fazer o trabalho do jeito que você quer sem voltar com perguntas? Se a resposta for não, falta alguma coisa no texto, e é exatamente nesse ponto que a IA vai tropeçar.
Isso vale para o ChatGPT, o Claude, o Gemini, o Copilot ou qualquer outro assistente. Os modelos mudam a cada poucos meses; o que torna um briefing claro continua o mesmo.
A estrutura de um bom prompt: os 6 blocos
Quase todo prompt bem feito tem até seis blocos. Para lembrar, pense nas seis perguntas que um bom profissional faria antes de aceitar uma tarefa:
- Papel: quem a IA deve ser nesta tarefa?
- Contexto: o que ela precisa saber sobre você, o público e a situação?
- Tarefa: o que exatamente deve ser feito?
- Formato: como a resposta deve chegar?
- Restrições: o que ela não pode fazer e quais limites deve respeitar?
- Exemplos: como é um resultado bom, na prática?
1. Papel: quem a IA deve ser
Dizer “você é advogado trabalhista com experiência em contencioso” ou “você é professor de cursinho que prepara alunos para o ENEM” muda o vocabulário, o nível de detalhe e o que a IA considera importante.
O papel rende mais quando vem com um jeito de trabalhar. “Você é um editor que corta enchimento e coloca o pedido nas duas primeiras linhas” diz muito mais do que “você é um especialista em escrita”. Sozinho, porém, o papel não faz milagre: ele orienta tom e foco, mas não substitui o contexto.
2. Contexto: o que ela precisa saber
É o bloco que mais falta nos prompts ruins e o que mais melhora o resultado. Inclua quem vai ler, para que serve, o que já foi tentado, os números que importam e o material de base: cole o texto, anexe o PDF, descreva a planilha.
Uma boa regra: quanto mais a resposta depende da sua situação, mais contexto ela pede. Uma pergunta sobre a capital da Austrália não precisa de contexto. Um e-mail para o seu gestor precisa de muito.
3. Tarefa: o que fazer
Use um verbo claro e um resultado que dê para conferir: “reescreva”, “resuma em cinco tópicos”, “compare as três opções”, “liste os riscos”. Se a tarefa tem etapas, numere as etapas.
Se você quer uma coisa, peça uma coisa. Prompts que pedem dez entregas diferentes de uma vez costumam devolver dez entregas medianas.
4. Formato: como entregar
Diga como quer receber: tabela com colunas definidas, lista numerada, três parágrafos, e-mail com assunto, tópicos para colar num slide. Diga também o tamanho (“até 150 palavras”, “uma página”) e o tom.
Formato definido economiza a segunda e a terceira mensagem da conversa, que normalmente são gastas pedindo “mais curto” e “em tópicos”.
5. Restrições: o que evitar
Aqui entram os limites: o que não inventar, o que não prometer, o tom a evitar, o orçamento, o prazo, a regra que precisa ser respeitada.
Prefira dizer o que fazer em vez de só proibir. “Se faltar um dado, escreva não informado” funciona melhor do que “não invente”, porque dá à IA uma saída honesta para a situação em que ela inventaria.
6. Exemplos: mostre como é o bom
Um exemplo vale por um parágrafo de explicação. Se você tem um e-mail que deu certo, um post no tom da sua marca ou uma questão no estilo da banca do seu concurso, cole como referência.
Diga o que deve ser copiado (estrutura, tom, tamanho) e o que não deve (o conteúdo). Essa técnica se chama few-shot, e o guia o que é prompt explica essa e outras técnicas.
Modelo de prompt para copiar
Este é o esqueleto que usamos como ponto de partida. Copie, apague o que não se aplica e preencha o que está entre colchetes. A ordem exata importa pouco; o que importa é a informação estar lá.
Nem todo pedido precisa dos seis blocos. Para uma pergunta rápida, tarefa e contexto bastam. Para qualquer coisa que você vá usar no trabalho, mandar para alguém ou repetir toda semana, vale passar pelos seis.
Você é [papel: profissão, experiência e jeito de trabalhar]. Contexto: - Quem sou eu / minha empresa: [...] - Para quem é o resultado: [...] - Objetivo: [o que precisa acontecer depois que eu usar a resposta] - Material de base: [cole o texto, os números ou descreva o arquivo anexado] Tarefa: [verbo + o que fazer; se houver etapas, numere] Formato da resposta: - [tabela / lista / texto corrido / e-mail] - [tamanho máximo] - [tom] Restrições: - Use apenas as informações que eu forneci. Se faltar algo essencial, pergunte antes de responder. - Se um dado não estiver no material que eu forneci, escreva NÃO VERIFICADO em vez de completar por conta própria. - [outros limites: orçamento, prazo, o que não prometer] Exemplo de referência (copie o estilo, não o conteúdo): [cole aqui um exemplo bom]
Exemplos de prompt: 6 reescritas de antes e depois
A melhor forma de enxergar a diferença é comparar. Cada caso abaixo começa com o pedido que quase todo mundo faz e termina com a versão reescrita. Repare que a versão melhor não é mais “inteligente”: ela só carrega a informação que faltava.
- Reescritor de E-mails Pro — Reescreva qualquer e-mail bagunçado para ficar claro, cordial e com resposta — no tom que você escolher.
- Criador de Flashcards de Estudo — Transforme anotações ou um tema em flashcards de repetição espaçada que testam recall, não reconhecimento.
- Planilha de Verbas Rescisórias e Cálculo de Reclamatória — Monta a planilha da rescisão com fórmula por linha e precifica a causa e a faixa de acordo.
- Cardápio da Semana com Feijão, Arroz e o Preço da Feira — Planeje a semana com uma panela de feijão, uma de arroz e o que estava barato na feira.
- Gerador de Variações de Anúncio — Gere um lote de variações de anúncio on-brand em vários ângulos para testes A/B.
- Explicador de Causa Raiz de Bugs — Cole o erro e o código; receba causas raiz prováveis ranqueadas e a menor correção possível.
Trabalho: cobrar uma aprovação da gestora
Antes: “Escreve um e-mail pedindo para minha chefe aprovar o orçamento.”
O resultado típico é um e-mail longo, formal demais, que leva quatro parágrafos para chegar ao pedido e não diz o que acontece se a aprovação atrasar. Na versão reescrita entram o que está parado e por quê, um pedido de sim ou não, o formato para quem lê no celular e a proibição de inventar números.
Se você reescreve e-mails toda semana, o Reescritor de E-mails Pro já vem com essa estrutura montada.
Você é um editor de e-mails corporativos que vai direto ao ponto sem soar rude. Contexto: sou analista de marketing de uma rede de farmácias em Belo Horizonte. Há 9 dias mandei para minha gestora, Carla, o orçamento de R$ 18 mil da campanha de Dia das Mães. A gráfica precisa do pedido fechado até sexta-feira para entregar o material a tempo. Carla é objetiva e lê e-mails pelo celular entre reuniões. Tarefa: escreva um e-mail cobrando a aprovação. Formato: - Assunto com até 50 caracteres. - O pedido de sim ou não nas duas primeiras linhas. - No máximo 90 palavras no corpo. - Tom cordial e direto, sem pedir desculpas por cobrar. Restrições: use só os fatos acima. Não invente valores, datas nem nomes.
Estudo: revisar genética para o ENEM
Antes: “Me explica genética.”
A resposta vira um capítulo de livro, longo e sem foco no que você erra. A versão reescrita diz o que você já sabe, onde trava, pede questões no formato da prova e, principalmente, proíbe a IA de entregar a resposta antes de você tentar. Estudar com IA rende mais quando ela pergunta e você responde.
Para fixar depois, o Criador de Flashcards de Estudo transforma o conteúdo em cartões de revisão.
Você é professor de biologia de cursinho pré-vestibular e explica com exemplos do dia a dia. Contexto: estou no 3º ano e faço o ENEM daqui a 5 semanas. Entendo o que é DNA e gene, mas confundo genótipo com fenótipo e erro questões de probabilidade em cruzamentos. Tarefa: 1. Explique a 1ª Lei de Mendel em até 200 palavras, com uma analogia. 2. Depois, me faça 5 questões no estilo do ENEM (múltipla escolha, alternativas de A a E), da mais fácil para a mais difícil, uma por vez. Restrições: não mostre a resposta antes de eu responder. Depois de cada resposta minha, corrija explicando por que cada alternativa está certa ou errada.
Jurídico: cálculo de verbas rescisórias
Antes: “Quanto meu cliente tem a receber de rescisão?”
Sem dados, a IA chuta o salário, ignora a modalidade da dispensa e pode citar uma súmula que não existe ou que já mudou. A versão reescrita entrega os fatos do caso, pede o cálculo com a fórmula à vista, só aceita citação com apoio em fonte indicada e manda perguntar quando faltar dado. Mesmo assim, todo cálculo e toda referência precisam ser conferidos antes de ir para uma peça.
Esse é o tipo de tarefa em que um prompt com o método da área compensa: veja a Planilha de Verbas Rescisórias e Cálculo de Reclamatória, os prompts para advogados e o guia ChatGPT para advogados.
Você é advogado trabalhista e calculista. Trabalha com fórmula visível e separa o que é certo do que depende de prova. Contexto: represento o reclamante. Admitido em março de 2022 como auxiliar de logística, dispensado sem justa causa em agosto de 2026, com aviso prévio indenizado. Salário-base de R$ 3.200. Nos últimos 12 meses fez, em média, 20 horas extras por mês, nunca pagas. A empresa pagou apenas o saldo de salário. Tarefa: 1. Monte uma tabela com as verbas devidas nesta modalidade de dispensa. 2. Calcule cada verba mostrando base de cálculo, fórmula e valor. 3. Liste o que depende de prova e qual prova sustentaria cada pedido. Formato: tabela com verba, base, fórmula, valor e grau de certeza (alto, médio, baixo). Restrições: - Só cite número de súmula, OJ, tese ou processo se ele estiver no material que forneci ou numa fonte que você consultou e indicou. Sem isso, descreva o entendimento e escreva NÃO VERIFICADO. - Não fixe índice de correção monetária nem juros; marque como ponto a confirmar. - Se faltar algum dado para um cálculo, pergunte antes de supor.
Dieta: cardápio da semana que cabe no bolso
Antes: “Monta uma dieta pra eu emagrecer.”
A IA costuma chutar calorias, sugerir salmão e quinoa e ignorar a sua rotina. E meta calórica individual é trabalho de nutricionista, não de chatbot. A versão reescrita pede o que a IA faz muito bem (planejar refeições, compras e preparo) dentro do orçamento e das restrições reais da casa, e deixa a prescrição para o profissional.
Veja mais em prompts para dieta, no guia como montar uma dieta com IA e no prompt Cardápio da Semana com Feijão, Arroz e o Preço da Feira.
Você é um cozinheiro de casa que planeja cardápios práticos e baratos. Contexto: somos 3 em casa (dois adultos e uma criança de 8 anos), em Recife. Orçamento de R$ 250 por semana para almoço e jantar. Tenho panela de pressão e air fryer. Cozinho no domingo e tenho 20 minutos por refeição nos dias úteis. Ninguém come camarão e minha filha não come peixe. Esta semana estão baratos na feira: macaxeira, abóbora, banana-prata e frango. Tarefa: monte o cardápio de segunda a domingo, reaproveitando o feijão e o arroz do domingo em pelo menos dois jantares. Formato: 1. Tabela com dia, refeição, prato e custo estimado por porção. 2. Lista de compras separada por seção do mercado. 3. Ordem de preparo do domingo. Restrições: não defina calorias nem metas de macronutrientes. Quando não souber um preço, diga que é estimativa.
Marketing: anúncio para uma loja local
Antes: “Cria um anúncio para minha loja de roupas.”
Sai algo como “Estilo que combina com você”, que serviria para qualquer loja do país. A versão reescrita traz público, dor, diferencial e prova, pede ângulos diferentes em vez de trocar palavras da mesma frase e proíbe a urgência falsa.
O Gerador de Variações de Anúncio segue essa lógica para qualquer plataforma; outros prompts de copy estão em marketing.
Você é redator de anúncios de resposta direta para pequenos negócios. Contexto: tenho uma loja de moda feminina plus size em Campinas. Vendo pelo Instagram e entrego no mesmo dia na cidade. Público: mulheres de 30 a 55 anos cansadas de não achar calça jeans que sirva. Diferencial: numeração do 46 ao 60 e troca grátis em 30 dias. Prova: nota 4,9 no Google com mais de 300 avaliações. Tarefa: escreva 6 variações de anúncio para o Instagram, cada uma com um ângulo diferente: dor, desejo, prova social, curiosidade, objeção e urgência real. Formato: tabela com ângulo, primeira linha (até 125 caracteres), texto principal e chamada para ação. Restrições: não use urgência falsa como “últimas peças” e não prometa desconto que eu não ofereci. No fim, diga quais duas variações testar primeiro e por quê.
Código: entender um erro no Python
Antes: “Meu código não funciona, arruma.” (seguido de 200 linhas coladas)
A IA reescreve tudo, troca o que funcionava e às vezes introduz um erro novo. A versão reescrita diz o que mudou, mostra a mensagem de erro, cola só o trecho relevante e pede a causa antes da correção.
O Explicador de Causa Raiz de Bugs faz esse diagnóstico de forma estruturada; veja outros em programação.
Você é desenvolvedor Python sênior e explica a causa raiz antes de propor correção. Contexto: tenho um script em Python 3.12 que lê com pandas o CSV de vendas exportado do ERP e soma o faturamento por loja. Funcionava até ontem. A única mudança: o ERP passou a exportar os valores com vírgula decimal (1.234,56). Erro: ValueError: could not convert string to float: '1.234,56' Tarefa: 1. Explique a causa provável em até 3 frases. 2. Proponha a correção mínima. 3. Diga como testar a correção. Restrições: não reescreva o script inteiro e não adicione bibliotecas novas. Se precisar ver mais código, diga qual parte. Código relevante: [cole aqui a função que lê o arquivo e soma os valores]
Itere: a primeira resposta é um rascunho
Mesmo um prompt bom raramente acerta tudo de primeira. A diferença entre quem tira proveito da IA e quem desiste está no que acontece na segunda mensagem.
Feedback vago gera ajuste vago. “Melhora isso” obriga a IA a adivinhar de novo. Aponte o trecho, diga o problema e diga o que deve ficar como está.
- Seja específico: “O segundo parágrafo ficou defensivo. Reescreva só ele e mantenha os números.”
- Peça alternativas: “Me dê três versões da primeira linha: uma mais direta, uma com pergunta e uma que comece com um dado.”
- Mude uma coisa por vez: se você trocar tom, tamanho e público na mesma mensagem, não vai saber o que funcionou.
- Peça uma crítica antes da reescrita: “Liste os três pontos mais fracos deste texto para o público que descrevi. Ainda não reescreva.”
- Recomece quando a conversa desandar: depois de muitas idas e vindas, a conversa acumula instruções contraditórias. Abra um chat novo e cole um prompt já corrigido com tudo o que você aprendeu.
- Guarde a versão que funcionou: quando acertar, salve o prompt final. Ele vira o seu modelo da próxima vez.
Peça para a IA fazer perguntas antes de responder
Quando você não sabe direito o que colocar no contexto, inverta o jogo: peça para a IA entrevistar você primeiro. Funciona muito bem em tarefas grandes, como um plano de negócio, uma petição, um cronograma de estudos ou o cardápio de uma família com restrições.
O truque é limitar o número de perguntas e pedir que ela espere as suas respostas. Sem isso, ela faz as perguntas e já responde na sequência, cheia de suposições.
Os prompts do nosso catálogo usam uma versão dessa ideia: quando falta um dado que contaminaria o resultado, eles mandam perguntar em vez de supor. Um dos prompts trabalhistas diz, com todas as letras, que “média inventada contamina toda a planilha”.
Quero [objetivo]. Antes de começar, me faça até 5 perguntas sobre o que você precisa saber para fazer isso bem. Faça uma pergunta por vez e espere a minha resposta antes de passar para a próxima. Quando tiver o suficiente, resuma em tópicos o que entendeu e peça a minha confirmação antes de entregar o resultado.
Como evitar que a IA invente informação
Modelos de linguagem geram o texto mais provável a partir do que receberam. Na maior parte do tempo isso produz respostas corretas, mas às vezes produz algo que soa certo e não existe: uma súmula com o número errado, um estudo que ninguém publicou, um preço desatualizado. Isso se chama alucinação, e nenhum modelo está livre dela.
O prompt não elimina o risco, mas reduz bastante e, principalmente, deixa os erros fáceis de achar:
- Dê a fonte em vez de pedir que a IA lembre: cole o contrato, a lei, o edital ou o artigo e peça para responder com base apenas nesse material.
- Autorize o “não sei”: escreva “se a informação não estiver no material ou você não tiver certeza, diga isso”. Sem essa saída, o modelo tende a preencher a lacuna.
- Diga o que fazer com o dado que falta: “marque como não informado”, “escreva CONFERIR” ou “me pergunte”. É mais eficaz do que só proibir.
- Peça fontes e abra cada uma: uma citação que você não conferiu vale tanto quanto nenhuma.
- Separe fato de inferência: peça para a IA marcar o que veio do seu material e o que é dedução dela.
- Use a busca na web para assuntos que mudam rápido: preços, leis recentes e notícias pedem uma IA com pesquisa ativada e, mesmo assim, conferência na fonte.
- Desconfie de números redondos e citações perfeitas: são os erros mais convincentes.
- Resumidor de Atas de Reunião — Transforme notas bagunçadas ou uma transcrição em decisões, action items e responsáveis.
- Designer de Guardrails contra Alucinação — Controles em camadas contra saída sem fundamento, com regras de abstenção e métrica de recusa excessiva.
Como os prompts profissionais tratam isso
Nos prompts de Os Melhores Prompts, precisão é regra escrita, não sugestão. O Resumidor de Atas de Reunião instrui a IA a não inventar um responsável ou um prazo que ninguém mencionou e a marcar esses campos como “não definido”. Os prompts jurídicos vão além: mandam descrever o entendimento com as próprias palavras quando falta a referência exata, em vez de arriscar um número de súmula, tese ou processo, e marcar como RECONFERIR tudo o que muda com o tempo, como índices de correção. Nenhuma dessas regras garante acerto, mas todas deixam o erro mais fácil de achar.
Copie essa lógica: diga o que não pode ser inventado e o que a IA deve fazer no lugar. O trecho abaixo funciona no fim de quase qualquer prompt.
Regras de precisão: - Use apenas o material que eu forneci e as fontes que você consultar nesta conversa, indicando cada uma. - Toda afirmação de fato (nome, número, data, lei, estudo ou citação) precisa de apoio nesse material ou numa fonte indicada. Sem apoio, escreva [NÃO VERIFICADO] ao lado. - Não invente nomes, números, datas, leis, estudos ou citações. - Quando faltar um dado, escreva [NÃO INFORMADO] e continue. - No fim, liste tudo o que eu preciso verificar antes de usar esta resposta.
Templates e variáveis: escreva uma vez, use sempre
Se você faz a mesma tarefa toda semana (o relatório de segunda, a resposta para cliente, o plano de aula), não reescreva o prompt do zero. Transforme a versão que deu certo num template: a parte fixa fica igual e o que muda vira variável.
Nos prompts de Os Melhores Prompts, as variáveis aparecem entre chaves duplas, como {{goal}} (objetivo) ou {{tone}} (tom). É uma convenção simples: você enxerga na hora o que precisa preencher, e nada fica esquecido. Onde guardar os seus templates:
- No ChatGPT: em projetos, com instruções próprias, ou nas instruções personalizadas, para regras que valem em toda conversa. Veja como usar o ChatGPT.
- No Claude: em projetos, com instruções e arquivos de referência. Veja como usar o Claude.
- No Gemini: em Gems, assistentes personalizados com instruções fixas. Veja como usar o Gemini.
- Fora da IA: num documento ou app de notas, organizado por tarefa, para colar em qualquer ferramenta.
Você é especialista em atendimento ao cliente de {{tipo_de_negocio}}.
Responda à mensagem abaixo nesta ordem: reconhecer o problema, responder, dizer o próximo passo.
- Mensagem do cliente: {{mensagem}}
- O que eu posso oferecer: {{o_que_posso_oferecer}}
- Tom: {{tom}}
Não prometa nada além do que está em "o que eu posso oferecer". Se faltar informação para resolver, escreva só a pergunta que eu devo fazer ao cliente.- Redator de Respostas de Suporte — Escreva uma resposta de suporte empática e precisa que resolve o problema e preserva a relação.
- Gerador de Macros de Atendimento — Crie uma macro de suporte reutilizável e cordial para um problema comum, com placeholders para personalizar.
Técnicas de prompt que fazem diferença
Há muita técnica com nome em inglês por aí. Estas são as que mais mudam o resultado no uso do dia a dia:
- Separe instrução de material: cole textos longos entre marcadores claros, como três aspas ou tags (veja o exemplo abaixo), e diga que o conteúdo marcado é material de leitura. Assim a IA não confunde o que é para ler com o que é para fazer.
- Peça o plano antes da execução: em tarefas longas, peça primeiro o esboço ou o índice, ajuste e só então peça o texto completo.
- Divida tarefas grandes em etapas: em vez de um prompt gigante, faça uma sequência (levantar pontos, organizar, escrever, revisar) em que cada etapa usa a saída da anterior. É o que se chama de cadeia de prompts.
- Mostre exemplos: dois ou três exemplos do que você quer ensinam formato e tom melhor do que qualquer adjetivo.
- Peça uma revisão contra critérios: “Confira se a sua resposta cumpre as restrições 1, 2 e 3 e corrija o que não cumprir.”
- Diga o tamanho em números: “curto” significa coisas diferentes para cada pessoa; “até 120 palavras”, não.
- Não precisa pedir “pense passo a passo” em modelos de raciocínio: os modelos que raciocinam antes de responder já fazem isso. Neles, rende mais descrever bem o problema e o que é uma boa resposta.
- Escreva em português: os assistentes atuais entendem bem pedidos em português. Não é preciso traduzir o prompt para o inglês.
Analise o contrato abaixo e liste as cláusulas que criam multa ou obrigação de exclusividade para o contratante. Responda em tabela: número da cláusula, o que ela diz em linguagem simples e risco (alto, médio ou baixo). <contrato> [cole o contrato aqui] </contrato>
Erros comuns ao fazer prompt
- Pedir sem contexto: “faça um post sobre o meu produto” sem dizer qual produto, para quem e onde vai ser publicado.
- Pedir tudo de uma vez: plano de marketing, nome da marca, site e calendário de posts no mesmo prompt.
- Usar adjetivos no lugar de critérios: “criativo”, “profissional” e “impactante” não dizem nada. Diga o que é bom: “a primeira linha tem uma pergunta”, “sem jargão”, “cita um número”.
- Colar material sem dizer o que fazer com ele: um PDF de 40 páginas e a palavra “resume” geram um resumo genérico. Diga para que é o resumo e o que não pode faltar.
- Aceitar a primeira resposta: ela é rascunho. Uma ou duas rodadas de ajuste resolvem a maior parte dos problemas.
- Confiar em número e citação sem conferir: principalmente em direito, saúde, finanças e impostos.
- Colar dados pessoais de terceiros: CPF, informações de saúde, dados de clientes. Veja antes as configurações de privacidade da ferramenta e as regras da LGPD; na dúvida, retire nomes e qualquer detalhe que identifique a pessoa, ou não cole.
- Copiar “prompts mágicos” sem adaptar: listas genéricas da internet funcionam mal porque não têm o seu contexto. Use como ponto de partida, nunca como resposta pronta.
Muda alguma coisa no ChatGPT, no Claude ou no Gemini?
Pouco. Um prompt claro, com contexto e formato definidos, funciona bem nos três, e é por isso que os prompts do nosso catálogo são escritos para rodar em mais de um modelo.
As diferenças estão mais nas ferramentas em volta do que na escrita: onde guardar instruções fixas, como anexar arquivos, se a busca na web está ativada, quais limites valem no seu plano. Os guias como usar o ChatGPT, como usar o Claude e como usar o Gemini mostram isso ferramenta por ferramenta.
Um hábito útil quando o resultado importa: rode o mesmo prompt em dois assistentes e compare. Em pouco tempo você descobre qual vai melhor no seu tipo de tarefa.
Quando vale usar um prompt pronto
Escrever o próprio prompt é ótimo para tarefas únicas. Um prompt pronto, escrito com o método da área, compensa em quatro situações:
- Quando o erro custa caro: cálculo trabalhista, contrato, cardápio para quem tem restrição alimentar. Um bom prompt de área já traz instruções sobre o que não pode ser inventado e os avisos da área. Instrução não é garantia: o resultado continua precisando de conferência.
- Quando você não domina o assunto: o prompt traz o método da tarefa, como a ordem das perguntas numa call de vendas ou as etapas de um plano de aula.
- Quando a tarefa se repete: você preenche as variáveis e recebe sempre o mesmo formato.
- Quando o time precisa de padrão: todo mundo usa a mesma estrutura de resposta ao cliente, de ata ou de proposta.
- Copywriter de Landing Page — Escreva copy de landing page focada em conversão, estruturada em torno de uma única proposta de valor.
- Planejador de Prioridades da Semana — Transforme uma pilha de tarefas e metas em um plano de semana realista, montado em torno dos seus resultados.
- Redator de Propostas Comerciais — Escreva uma proposta comercial persuasiva e escaneável, ancorada no resultado do cliente e não nas suas features.
- Construtor de Plano de Aula — Monte um plano de aula completo, guiado por objetivos, com atividades, tempos e checagens de compreensão.
Como são os prompts do catálogo
Cada prompt de Os Melhores Prompts tem duas partes: as instruções do prompt (o bloco que, em linguagem técnica, se chama system), com papel, método em etapas e restrições explícitas, e o pedido, com as variáveis que você preenche. Todo prompt publicado passa pelos critérios editoriais descritos em Sobre. Você compra uma vez, encontra em Meus prompts e usa no assistente que preferir; a página de cada prompt mostra para quais ferramentas ele foi escrito.
Comece pelos prompts para advogados, pelos prompts para dieta ou explore o catálogo completo.
Perguntas frequentes
Qual é a estrutura de um bom prompt?
Um bom prompt costuma ter seis blocos: papel (quem a IA deve ser), contexto (a sua situação), tarefa (o que fazer), formato (como entregar), restrições (o que evitar) e exemplos (como é um resultado bom). Para pedidos simples, tarefa, contexto e formato já resolvem.
Como fazer um prompt para o ChatGPT?
Escreva como um briefing para um profissional: quem você é, para quem é o resultado, o que precisa, em que formato e com quais limites. Depois ajuste com uma ou duas mensagens. O mesmo vale para o Claude e o Gemini. Veja também como usar o ChatGPT.
Prompt longo é melhor do que prompt curto?
Não necessariamente. O prompt precisa ter toda a informação relevante e nada além disso. Três linhas com o contexto certo vencem trinta linhas cheias de adjetivos. Para tarefas complexas ou que se repetem, prompts mais longos e estruturados costumam funcionar melhor.
Preciso escrever o prompt em inglês?
Não. ChatGPT, Claude e Gemini entendem bem pedidos em português. Escreva no idioma em que você quer a resposta e, se precisar do resultado em outra língua, diga isso no formato.
Como fazer a IA parar de inventar informação?
Dê o material de base, autorize a IA a dizer que não sabe, diga o que fazer quando faltar um dado (por exemplo, marcar como não informado) e peça fontes para conferir. Nenhuma técnica zera o risco, então revise tudo o que for usar em decisões importantes.
O que é engenharia de prompt?
É a prática de escrever, testar e melhorar instruções para obter resultados consistentes de modelos de IA. No dia a dia, significa dar contexto, definir formato e iterar. Em empresas, inclui prompts de sistema, testes e avaliação. O guia o que é prompt explica os conceitos básicos.
Existe um prompt perfeito?
Não existe um prompt perfeito para tudo, porque o melhor prompt depende do seu contexto. Existe o prompt certo para uma tarefa específica, e ele costuma nascer de duas ou três rodadas de ajuste.
Vale a pena usar um prompt pronto?
Vale quando a tarefa se repete, quando o erro custa caro ou quando você não domina o assunto: um prompt profissional já vem com método, restrições e formato definidos. Para pedidos rápidos e únicos, escrever o seu costuma bastar.
Leia também
- O que é prompt? Significado, tipos e exemplos — Prompt é a instrução que você dá a uma IA como o ChatGPT. Entenda o significado, veja exemplos e conheça os tipos, do zero-shot ao prompt de sistema.
- Como usar o ChatGPT: guia prático, grátis e no celular — Passo a passo para usar o ChatGPT: criar conta, plano gratuito ou pago, app no celular, envio de arquivos, privacidade e prompts para trabalho e estudo.
- Como usar o Claude: guia da IA da Anthropic em português — Aprenda a usar o Claude, a IA da Anthropic: conta, plano grátis e pagos, app no celular, arquivos longos, privacidade e quando escolher Claude ou ChatGPT.
- Como usar o Gemini: guia da IA do Google no celular e no PC — Como usar o Gemini, a IA do Google: acesso grátis, app no celular, planos AI Plus e AI Pro, oferta para estudantes, privacidade e prompts para copiar.
- Prompts para advogados: qual usar em cada tarefa — Encontre prompts jurídicos por tarefa: análise de casos, contratos, peças e cálculos. Use no ChatGPT, Claude ou Gemini. Compra única e garantia de 7 dias.
- Prompts para dieta: cardápio, lista de compras e marmitas — Prompts para planejar cardápios, adaptar receitas e organizar compras com ChatGPT, Claude ou Gemini. Escolha pela sua rotina. Compra única e garantia de 7 dias.
- ChatGPT para advogados: como usar na advocacia — Como usar o ChatGPT na advocacia: o que a IA faz bem e mal, prompts para petição, contrato e audiência, sigilo, LGPD e o que a OAB recomenda.
- Como montar dieta com ChatGPT e IA: guia com prompts — Passo a passo para montar cardápio semanal, lista de compras e marmitas com ChatGPT, Claude ou Gemini: o que informar, prompts para copiar e o que conferir.
